Glossário
Os termos da casa e as cartas do Tarot. Cada um aponta para onde é explicado por inteiro.
Termos · Entidades · Locais · Objetos · Energias · Eventos
Termos
Amor: a decisão de continuar vivo. Leva à Recarga. Manter o corpo é ato de amor. Do Manifesto.
Anéis: as faixas do Mapa Simbólico, de dentro para fora: Recarga, Atrito e Zona de Morte. Além da borda pontilhada fica a Destruição.
Arlequins: o Sério e o Debochado, dois métodos de verdade: declaração seca e riso. Questionam tudo e mantêm a Zeladora, a Madame e a Diva com os pés no chão. Qualquer pessoa cai nesse papel.
Atrito: anel do meio do Mapa, onde vive a maioria dos símbolos, em disputa. Todo atrito empurra para a Zona de Morte.
Campos das Minas: região de montanhas onde o Oriferrum foi descoberto e onde aflora em abundância, perto da superfície.
Carta invertida: a carta que vai para o lugar mecânico. A Tensão puxa de volta.
Corpo: o único símbolo sagrado em qualquer setor do Mapa. Sustenta a vida e todo símbolo.
Cores: cada entidade tem a sua. Verde é raiz e resistência; vermelho, potência e performance; verde e vermelho, ponte entre mundos; azul, o que a Casa dispensa para funcionar.
Destruição: o que deixou de existir até na memória. Fica além da borda do Mapa, que só aponta para ela.
Eixos: os seis pares de entidades: Desejo, Sobrevivência, Arlequins, Entrega, Classe e Memória. Em cada par, uma presença é síncrona e a outra, mecânica.
Encontro: recarga vivida junto, comunhão. Acontece em qualquer lugar, e é o que a casa tenta ser. Do Manifesto.
Entidade: estado que qualquer pessoa habita por um tempo, conforme o contexto. São doze, listadas abaixo.
Grande Invasão: a chegada dos cabeças-brancas a Campos das Minas no fim do século XVII e a corrida pelo Oriferrum.
Itaobi: o nome mais antigo que restou do mineral, de uma língua crioula falada em Campos das Minas antes de a coroa impor a língua oficial. O nome que os povos ancestrais davam ao mineral se perdeu. Itaobi também é o nome do álbum em preparação.
Mapa Simbólico: campo de batalha dos símbolos, com três setores e quatro anéis. Cada corpo é o centro do próprio mapa. Ler o Mapa.
Marca de nascença: herança material, como nascer branco e herdeiro, que torna uma posição provável, e só provável. Pesa sobre o Cabeça Branca e o Insurgente. Quem nasce branco e herdeiro tende a seguir o roteiro mecânico sem perceber que está nele, fazendo o que lhe disseram ser o certo.
Mecânica: presença que segue um roteiro pronto e se repete igual com qualquer pessoa. Quase sempre o roteiro vem de fora: a gente aprende cedo e segue sem questionar. O esforço vem de fora para fora: nasce do que é demandado e serve para cumprir a demanda. Na presença síncrona, ele vem de dentro, de entender o próprio corpo. Ler nos Fundamentos.
Não-Lugar: o conflito entre a carne viva e a idealização. No Mapa, é o Atrito ou a Zona de Morte. Do Manifesto.
Recarga: anel de dentro do Mapa, onde os símbolos ganham energia. Lugar do Encontro e da Diva.
Setores: as três partes do Mapa: Sagrado, Profano e Banal. Cada carta muda de setor conforme quem olha.
Síncrona: presença que só existe naquele encontro. Os corpos ajustam o ritmo na hora, e cada vez sai diferente.
Vigília da Zeladora: o rito da casa, marcado por datas simbólicas. Abre e fecha com o Manifesto. Ver o Ritual.
Zona de Morte: borda do Mapa, onde o símbolo é esquecido. Dali ainda se volta, quando alguém lembra ou cita.
Entidades
A Zeladora: trabalha duro, domina a técnica e cria condições para os outros florescerem. Cuida da casa e prepara o palco para toda diva. Leah Amor é a primeira. Enfrenta a Madame.
A Madame: figura do melodrama. Acredita que sensualidade basta e fica presa nessa crença. Seduz pela estética.
O Rancor: habita a tensão entre medo e sobrevivência. Enfrenta o Malandro.
O Malandro: ameaça cotidiana da rua. Nada oferece, e mesmo assim há quem se sinta seduzido por ele.
O Sério: Arlequim materialista e fatalista. Verdade seca, sem escape.
O Debochado: Arlequim absurdista. Mostra o ridículo das coisas pelo riso.
A Diva: momento em que um corpo para de brigar consigo mesmo. Surge de qualquer entidade, menos do Automato, e quando surge já é outra coisa. O ritual prepara o palco, e a vinda dela segue imprevisível: o rito pode acontecer sem ela.
O Automato: entrega total que apaga o humano. Espelho da Diva: cada um é a inversão do outro.
O Cabeça Branca: força coletiva. Os invasores do século XVII e seus herdeiros diretos. Seduz pelo dinheiro. Enfrenta o Insurgente.
O Insurgente: massa. Absorver essa energia é deixar de ser uma pessoa para ser muitas.
O Preto Velho: raiva que virou sabedoria e guardou a memória da dor.
A Matriarca: viveu sem a chance de saber que podia ser Diva. Espelho do Preto Velho.
Locais
Ouro Preto em forma de carta. Ver no Tarot.
Pontos Finais
A Casa Muda: ponto de chegada e de origem. Invertida, esquece que está dentro do mapa, se vê como centro e vira altar.
A Mina Antiga: memória do custo em carne. Existe enquanto alguém lembra.
O Museu: onde as coisas vão para ser preservadas e param de viver. Zona de Morte com endereço.
A Montanha: o Itacolomi. Guiou a Grande Invasão; hoje é aonde se vai buscar silêncio.
Passagens
A Mina Nova: mineração a céu aberto. Entra-se de um jeito, sai-se contaminado.
O Boteco: processa quem passa e devolve diferente.
A República: recebe leva após leva; cada uma sai transformada.
A Ladeira: sempre subindo ou descendo. Esforço embutido no trajeto.
Encruzilhadas
A Igreja: erguida com Oriferrum escravizado. Fé genuína sobre violência histórica.
A Praça: democrática pelo uso.
A Academia: conhecimento que liberta e exclui no mesmo espaço.
O Galpão: espaço que a arte tomou antes que outra coisa chegasse.
Objetos
Revelam quem os toca. Ver no Tarot.
O Oriferrum: mineral descoberto em Campos das Minas. Tinta de rito, mercadoria, amuleto, droga, pó no pulmão: espelho em branco.
O Microfone: poder da voz em forma física. O Cabeça Branca faz política com ele; a Madame vende amuleto; o Sério fala a verdade que ninguém quer ouvir; a Zeladora passa adiante.
Energias
Estados que atravessam qualquer carta. Ver no Tarot.
A Tensão: corrente entre dois opostos perto o bastante para se afetar. Desinverte, e também tira da Afinação.
A Inversão: força que leva a carta ao lugar mecânico. Uma das causas é o Oriferrum usado como extração, agindo sobre o que devia estar livre; a Música também pode causá-la. Atinge qualquer carta, menos a Diva e o Automato.
A Afinação: estado de estar em sincronia. Com todos afinados, nenhuma carta se inverte. A Música e o Beija-Flor podem causá-la.
A Aleatoriedade: força que aparece sem ser chamada, sem memória nem linguagem. Irrupção.
Eventos
A Música: quando a apresentação vira presença. Pode causar Afinação, e também Inversão. Único evento sem antagonista.
O Coro: vozes juntas sem hierarquia, ajustando o ritmo umas às outras. Invertido, as vozes seguem juntas e param de se ouvir.
O Beija-Flor: o estalo que paralisa o tempo, no meio da música. Lembra a Diva, e dura um instante.
A Invasão: padrão que se repete.
Objetos, Energias e Eventos têm cartas ainda a revelar.